terça-feira, 7 de abril de 2020

1 | Poema | Rui de Noronha Ozorio

Subo as escadas 
para sentir o vento na palma 
das mãos e soprar violinos 
dentro de um copo aquático 
formando assim
as ondas do mar 

Olho o mundo ajardinado 
como se existisse 
e dos dedos 
saem luas serenas 
como afluentes de um caleidoscópio 

Uma árvore corre 
atrás da primavera 
até ganhar asas 
as folhas vestem-se de penas 
e voa pássaro de si 

Há-de encontrar o amor 
pelas índias 
Um Amoríndio quando o fogo pousar 

Encosto-me ao azul de uma pedra 
leio um livro como se engole 
a vida 
Reparar na tua mão que pede 
a minha 
tocar-te 
e as estrelas todas acenderem

Adormeço 
enquanto os lírios cantam 
e sei tão bem 
que a árvore encontrou a primavera 

Rui de Noronha Ozorio
in Mar Subverso (Fresca)

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