Subo as escadas
para sentir o vento na palma
das mãos e soprar violinos
dentro de um copo aquático
formando assim
as ondas do mar
Olho o mundo ajardinado
como se existisse
e dos dedos
saem luas serenas
como afluentes de um caleidoscópio
Uma árvore corre
atrás da primavera
até ganhar asas
as folhas vestem-se de penas
e voa pássaro de si
Há-de encontrar o amor
pelas índias
Um Amoríndio quando o fogo pousar
Encosto-me ao azul de uma pedra
leio um livro como se engole
a vida
Reparar na tua mão que pede
a minha
tocar-te
e as estrelas todas acenderem
Adormeço
enquanto os lírios cantam
e sei tão bem
que a árvore encontrou a primavera
Rui de Noronha Ozorio
in Mar Subverso (Fresca)
Sem comentários:
Enviar um comentário